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Aliança Anglicana: Não deixar ninguém para trás – teologia que escolhe juntar

IEAB Últimas Notícias - qua, 2017-09-20 20:02

Paulo Ueti, assessor teológico e facilitador da Aliança Anglicana e da Diocese Anglicana de Brasilia,  reflete sobre o ministério da reconciliação e a intencionalidade de nosso trabalho teológico em direção a uma igreja e comunidades acolhedoras, resilientes e dispostas a serem lugar de segurança, esperança e de frutificação do Reino. A Aliança Anglicana quer ser um espaço de conectar a familia episcopal e anglicana para compartilhar recursos e fortalecer a solidariedade e a comunhão.

Não deixar ninguém para trás – teologia que escolhem juntar: A correção fraterna e a vocação para a unidade – ligar na terra para que seja ligado no céu

Num domingo desses algumas igrejas tiveram em seu culto a proclamação e a pregação a partir do Evangelho de Mateus 18:15-20. Muitos comentários circulam pelas redes sociais para contribuir com os sermões e para ajudar na compreensão melhor deste texto. Muitos deles apoiados em comentários exegéticos e hermenêuticos disponíveis.

1. Situando

Vivemos já há algum tempo uma agudização da polarização política e ideo-teológica nas nossas sociedades. Para sublinhar o óbvio é preciso dizer que as desigualdades continuam sólidas, enraizando-se cada vez mais e crescendo globalmente. Não é mais uma questão ou problema do chamado “terceiro mundo” ou “dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento”. Consequência disso são os níveis de intolerância e diferentes fobias que tem estampado nossas vidas cotidianas provocando mais sofrimento, exclusão e morte.

Estamos num momento assustador, para dizer o mínimo. Grupos neo-nazistas ressurgindo, políticos (sim aqui o masculino é proposital e determinante) misóginos, homofóbicos, racistas e xenofóbicos tomando conta dos parlamentos e de governos no mundo todo. E o pior é perceber quanta gente religiosa que os apoia e reproduz seus ideais e comportamentos. A diversidade, que é NATURAL, parece estar perdendo o lugar e sendo tratada, há muito tempo já, como ameaça a “ordem natural e divina”, seja lá o que isso signifique.

Aqui falo como cristão, não pretendo tecer comentários sobre outras religiões, não cabe a mim. Nas igrejas cristãs, como em qualquer grupo social, vivemos dissensões e sempre teremos gente que vai errar (pecar). Afinal, nascemos “na iniquidade” (cf. Salmo 51:4.7) A igreja, aliás é o lugar privilegiado para essas pessoas (elas são as “vocacionadas – chamadas para estar em Jesus”), as que erram, as perturbadas, as que necessitam ajuda, as desequilibradas, as pecadoras, afinal “quem não tem pecado atire a primeira pedra” (cf Jo 8:7). Igreja não foi, não é e não será o lugar da idealização de “santidade” (o lugar eugênico, da raça “pura”, que não peca mais) que muita gente acha que existe em suas mentes e espíritos despedaçados e fantasiosos. Somos gente e gente é sempre difícil. Quando chamamos alguém de “difícil”, lamento mas estamos somente indicando o óbvio, que aliás serve para nós mesmos também. Conflitos, oposições, brigas, fofocas, tentativas de hegemonização sempre haverá. Faz parte da vida.

O mundo foi criado diverso. Quando alguns grupos tentaram o golpe do totalitarismo e da homogeneização na história de Babel, Deus interviu e devolveu a diversidade que ele criou. Ele enfrentou o império que prima pela monocultura, monogoverno (cf. Gn11:1-9). O movimento de Jesus foi diverso. A igreja nasceu na diversidade, assim é a nossa tradição. A imagem da Igreja é a imagem do corpo, ou seja, diverso. Seja aquela das cartas Paulinas autênticas, dos evangelhos ou a declarada pelos Atos dos Apóstolos. A diversidade é a natureza da comunidade e espiritualidade cristã. E o pecado e o erro são parte dessa vida em movimento, inquieta e sempre em busca.

2. O leitmotiv do texto em questão

É necessário dizer o óbvio. Sobre o texto e a história que ele conta. Não estivemos lá. Nunca saberemos “ao certo” o que foi mesmo que gerou essa articulação do discurso de Jesus feita por Mateus. Podemos investigar e chegar a conclusões racionais e “consentir” em algum rumo para interpretar o sentido do texto.

Eu resolvi escrever essa reflexão:

  • porque gosto muito desse texto e do contexto literário onde ele está inserido.
  • porque utilizo bastante essa perícope como exercício hermenêutico com os grupos com quem trabalho.

Meu ponto, no exercício, é confrontar e oferecer uma alternativa (seguindo muitas outras pessoas estudiosas da Bíblia) às interpretações “tradicionais” sobre o que significa quando a pessoa “não tem mais jeito” e deva ser tratada como “pagã/gentil e cobradora de impostos”. Isso significa que sempre terminam, ao ler e interpretar o texto, com o conselho para a “disciplina” ou exclusão/excomunhão “da pessoa problemática” (a pessoa difícil – acho que muitas de vocês ou já foram rotuladas assim ou já rotularam alguém, assim como eu). Encontramos alguns comentários, infelizmente, como recurso para quem vai pregar no domingo, de que a pessoa “se exclui”: E se a pessoa não quiser escutar a comunidade, que ela seja para você como um publicano ou pagão, isto é, como alguém que já não faz parte da comunidade. Não é você que a está excluindo, mas é a pessoa que se exclui a si mesma”. Sem dúvida temos o absoluto direito de, a partir de nossas perspectivas e estudos, interpretar dessa forma. Mas novamente quero sustentar que essa é uma escolha hermenêutica de gente que vive nesse contexto e/ou está de acordo com ele (igrejas desligando gente das suas comunidades ou instituições familiares, ecumênicas ou outras porque “não se encaixam” na instituição ou no modelo hegemônico da mesma).

Eu prefiro escolher uma interpretação (e sim, interpretar é sempre uma escolha) mais acolhedora e mais configurada com a teologia, espiritualidade e agenda política de Jesus de Nazaré, o Cristo tão bem imaginado pelo Isaias 40-55. Ninguém é deixado pra trás. É necessário embarcar na difícil tarefa ecumênica (tenho cuidado com essa gente “ecumênica” que prefere “limpar” a comunidade de gente “difícil”) de conviver e reconhecer que gente difícil todas nós somos de algum modo.

3. O nosso tecido carinhoso de teimosia misericordiosa

Penso que é prudente e razoável tomar uma perícope maior. Já aprendemos de muito tempo que todo texto tem seu contexto literário que ajuda a “direcionar” a intenção de quem deixou a memória e de quem escreveu a mesma. O capítulo 18 faz parte dos grandes discursos (pregações) de Jesus para a comunidade, a igreja. É Jesus o autor da fala e é a igreja a destinatária. Pra ser sincero é meio improvável que Jesus tivesse dito isso do jeito que está escrito. No tempo dele não havia igreja cristã (ekklesia) ainda. E acho improvável que ele se referisse à sinagoga (ekklesia pode ser também a congregação de judeus).

O nosso texto em destaque – Mt 18:15-20 – está rodeado de outros textos que formam a moldura para que o encaixe seja adequado (Mt 18:1-10; 11-14 e 21-35: textos sobre quem está perdido e sobre o perdão como pilar fundamental da vida comunitária e da vida em sociedade).

Mateus já começa o sermão (chamado por alguns biblistas de Sermão Eclesiológico) atestando que os discípulos estão ainda preocupados com a hierarquia dos poderes. Eles não estão interessados em mudar o sistema de opressão (bom lembrar a decepção relatada no texto de Lc 24:13-35 – do casal de Emaus). Eles estão interessados em trocar de lugar na dança das cadeiras de quem está no “poder que controla e oprime”, tomar o poder para que eles possam ocupar esse lugar e não ser mais oprimidos. Por isso estão perguntando: quem é o maior no Reino dos Céus (essa preocupação dos discípulos, bastante em dissonância com as preocupações de Jesus, é muito bem atestada em vários outros relatos evangélicos). E o exemplo que Jesus dá em primeiro lugar é o da criança (paidion), dos pequeninos (mikron). Tem que ser como criança, não pode escandalizar as crianças (dar mau exemplo, faze-las sair do caminho – ortopraxis). Jesus no mesmo evangelho já havia louvado a Deus por ter revelado as coisas do Reino aos pequeninos (Mt 11:25). O Reino não é para as pessoas são “certinhas”, inocentes, “santas” e recatadas, obedientes/domesticadas/projetos de adulto (tudo que uma criança normalmente não é – quem tem filhas/os e/ou lidou com crianças sabe do que estou falando). O Reino é “do jeito da criança”: ousada, as vezes inconveniente, perturba a ordem estabelecida pelas pessoas adultas, é aberta e curiosa a aprender, perambulante, atravessa limites, meio desobediente, aquela que necessita, que é carente de relações, corajosa e que exerce poder desde o dia que nasce para o mundo (e normalmente ganha).

Depois vem a conversa famosa e demasiadamente pregada nas igrejas sobre a ovelha perdida (Mt 18:11-14). Tema bonito para retiros, aqueles papeis laminados na parede do altar, sermões efusivos. E a declaração (“meio” artigo de fé, que incomoda os defensores da “raça pura dos eleitos do Senhor) bombástica do verso 11: veio salvar/curar/cuidar o que se tinha perdido. A pessoa que tem lugar privilegiado para a missão da comunidade, penso eu, é aquela pessoa que está “perdida”, que é problemática, que não se encaixa no modelo hegemônico da instituição ou de quem está na coordenação (talvez porque a comunidade ficou demasiadamente fixa que não deixa mais espaço para acomodações das mudanças de contexto ou de auto-crítica).

A moldura de baixo é também, obviamente, muito importante. É sobre perdoar sempre, 70 vezes 7, o número do infinito, da incondicionalidade. Parece que há uma insistência literária, teológica, escriturística, eclesiológica e espiritual do exercício do perdão. Lembrando sempre que o perdão está muito relacionado com quem perdoa, mais do que com quem deveria ser perdoado. O exercício do perdão não é sobre a outra pessoa na verdade, sobre “quem pecou”, é um exercício de quem julga ter autoridade para condenar ou julgar (normalmente para condenar). Infelizmente nas comunidades e nas relações (nem sempre equitativas em relação ao exercício de poder) o papel de quem convoca “conversas sérias” ou “julgamentos” é o papel do acusador (o Diabo – o Satanás), quase nunca do defensor (o Paráclito, o Espirito Santo). Algo para pensar bastante.

4. Aí sim, depois dessa primeira moldura de cima e de baixo, entramos em nossa perícope – Mt 18:15-20.

A igreja é o lugar das pessoas que buscam encontrar a Deus, e um requerimento importante é encontrar a si mesmas e as outras pessoas com quem ela escolheu conviver. Um novo tipo e arranjo familiar. Nada tradicional aliás. O verso 18 aqui identifica que a igreja (ekklesia-comunidade reunida em nome de Jesus) tem poder de ligar e de desligar. É um modelo “kyriarcal” (cf muitas feministas) e segue o “jeito” de impérios sobreviverem. Kyriarcado é um termo forjado por Elizabeth Fiorenza para designar o patriarcado, como modelo que é baseado no poder exercido pelo imperador/mestre/senhor/pai/marido sobre as pessoas subordinadas a ele/s, e é mais suscetível a encapsular outras formas de opressão como racial, de estrato social e econômica, assim como a opressão de gênero. Mesmo assim, com essa crítica reconhecida, é necessário perceber que se trata do poder de ESCOLHER desligar ou ligar. Infelizmente esse texto bíblico, as interpretações “normais” que se tem por ai (inclusive de biblistas e pastoralistas “da libertação”) é ainda usado para enfatizar o poder de desligar, excluir, legislar sobre quem “serve” e se “encaixa” para a vida comunitária. Esta [a vida comunitária] formatada a partir da teologia e projeto politico da “raça eleita” (e aqui uma certa tradição judaica pesou muito e foi transportada para o mundo cristão. Eu prefiro sempre exercitar ler esse texto com a tarefa fundamental que nos foi dada por Deus e que, em Cristo somos co-laboradoras, de ligar gente umas às outras, de permanecer ligados mesmo na diferença, divergência e conflito.

Este pedaço é sobre o pecado. Se teu irmão pecar [“contra ti”, aparece em alguns códices mas em outros não] toma certas providencias. O texto é um chamado ao exercício metódico, transparente e persistente (resiliente) de lidar (e aprender a lidar) com as pessoas que “pecaram”. O pecado é algo que certamente é presente no cotidiano de todas as pessoas e na vida comunitária. Não é possível apagar o pecado, só é possível vencê-lo cotidianamente, reconhecer sua existência e também reconhecer que ele não tem mais poder sobre você (Rm 6). Se acreditamos que o pecado tem poder de afastar alguém de Deus ou manter Deus afastado das pessoas, precisamos orar mais e meditar mais para encontrar o Deus da graça e misericórdia incondicionais (Os 11, entre outros textos). E só é possível vencer o pecado cotidianamente com ajuda, quando estamos conectadas umas às outras, quando percebemos que temos necessidades comuns e precisamos nos ajudar. A comunidade é esse lugar. Na Regra de São Bento, ele imagina o mosteiro (a comunidade) como uma Escola do Senhor. É um lugar de mutuo aprendizado e mutua transformação para a vida. Ninguém está ou estará pronto. E ao final, ninguém chega pronto. A comunidade é o lugar de “se arrumar”. Não é tribunal muito menos clube fechado de pessoas que ficam se bajulando ou bajulando Deus o tempo todo.

A comunidade deveria ser o lugar da esperança, da acolhida e da tolerância 70 x 7 vezes. É o lugar onde eu sei que em última instancia eu posso ir ou estar e serei acolhido, não julgado. Terei ajuda para melhorar ou para acertar meu rumo, não sentenciado e humilhado publicamente fazendo com que eu deseje nunca ter ido ou deseja sair. A gente vai já Igreja cristã para descobrir (para quem ainda nunca foi) ou para reconhecer (porque a gente já sabe na verdade) que Jesus me/te aceita. Eu não vou para eu aceitar Jesus.

Numa sociedade impaciente, intolerante e violenta em que vivemos somos chamadas a testemunhar diferente. Somos chamadas a viver a experiencia de conversão cotidiana, onde todo mundo precisa de ajuda e onde todos mundo SE ajuda. Onde pedir ajuda seja natural e não humilhação. Onde haja espaço seguro e lugar para a convivência, que é e será sempre marcada pela tensão e necessidade de ajuste diário.

Jesus, me parece, está insistindo com uma comunidade que precisa aprender, primeiramente a “ir atrás” e a lidar com o pecado e com as pessoas pecadoras (que aliás inclui a mim e a você que lê esse artigo). Em sociedades e grupos muito institucionalizados, certamente é um aprendizado necessário. O ensinamento nos textos reconhece que é difícil e que muitas vezes há uma insistência em ceder ao pecado. As vezes cedemos ao pecado e damos mais poder do que ele possui. Mas o escalonamento de “conversar individualmente, depois com mais uma testemunha e depois com a igreja” me parece um alerta para que o erro de alguém seja reconhecido como também responsabilidade do todo, da comunidade. Precisamos evitar colocar sempre a culpa na pessoa que pecou. Ao final levar a pessoa ao centro da comunidade não deveria ser interpretado como levar a pessoa para que a igreja a julgue, para que ela (a pessoa que pecou) seja exposta e somente ela reconheça publicamente o pecado. O processo terapêutico sugerido aqui é para que todo mundo seja afetado, é para que todo mundo possa falar sobre o assunto. E se mesmo assim não der certo, o conselho de Jesus é tratar a pessoa como “gentio e cobrador de impostos”.

Mas o que significa mesmo tratar alguém como “gentio e publicano”? As interpretações corriqueiras são de que no tempo de Jesus e na cultura hegemônica em que ele vivia (em termos de normas legais e sociais) seria não se aproximar, excluir de sua convivência. Mas eu acho difícil imaginar que, mesmo se estivéssemos falando do tempo de Jesus (o que eu acho que não estamos – estamos no tempo da igreja), Jesus se conformou com essa norma. Ele foi um transgressor politico, econômico e também das normas sociais. Desafiou a “moral e os bons costumes” daquele sociedade na qual vivia. A vida de Jesus já começa recordando-se de que em sua genealogia há muitos gentios (gente não judia, cf Mt 1:1-17: Abraão, Isaac, Raab, Rute, Betsabá). Quando um centurião (soldado romano) foi em busca de sua ajuda, ele prontamente o acolheu e concedeu seu pedido (cf. Mt 8:5-13) e ainda elogiou o pagão dizendo que nunca tinha encontrado tamanha fé em Israel. Chamou para seu grupo intimo um cobrador de impostos, chamado Mateus (cf. Mt 9:9). Costumava andar com “pecadores e publicanos”, inclusive compartilhando sua intimidade da casa, tomando refeição – comungando – com os mesmos (cf. Mt 9:10-13).  Uma mulher gentia (siro-fenícia) veio até Jesus pedir ajuda para sua filha com demônio. Jesus, mesmo com reservas, dialoga com ela, a escuta, lhe dá razão e concede seu pedido e também ela – uma gentia – ganha um grande reconhecimento da parte de Jesus – grande é a fé dela (cf. Mt 15: 21-28). Aqui só percorrendo o Evangelho de Mateus.

Mas, novamente quero insistir que não estamos lidando somente com o tempo de Jesus, na Palestina, pelos anos 30 dC. Estamos também lidando com um texto e uma memória que foi usada por uma comunidade mais tarde, quando a igreja cristã já era uma realidade, pelos anos 70 em diante. No caso do Evangelho de Mateus, muita gente concorda que é entre os anos 80 e 90 dC. Mesmo, utilizando o argumento de que a audiência de Mateus é uma comunidade majoritariamente formada por gente de tradição judaica, não é a totalidade da comunidade assim, e certamente se a comunidade tem problemas com gente que não seja dessa tradição isso precisa de conserto e revisão (Mt 15:21-28 – certamente mesmo Jesus dizendo que só veio para os judeus, isso foi rebatido veementemente por essa mulher siro-fenícia e isso mudou o jeito – o método e o conteúdo – da vida da comunidade).

Neste texto em particular há uma insistência no diálogo, na insistência no diálogo mesmo quando somos ofendidas. Imagino que ser comparada, indiretamente, aos cachorros (que aqui pode ter duas possibilidades significativas) não é muito educado. Eu me sentiria muito ofendido se isso passasse comigo. Imagino que uma mulher já bastante sofrida foi também uma ofensa e humilhação pública vinda de Jesus. Textos guardam memórias para serem utilizadas no futuro, no momento correto para influenciar o presente e modifica-lo, normalmente, chamar a atenção para algo, atualizar a mentalidade e o comportamento. Mateus 18 é uma memória poderosa para a comunidade que escuta atenta. Há um conflito que precisa de carinho e cuidado. O texto/memória é para guiar, orientar e estabelecer método e conteúdo (ou melhor, relembrar o que foi esquecido).  Ler esse texto em nossos contextos de ódio e extremismos, reter essa memória que insiste na capacidade imensa de perdoar, de rever o que se passou conosco e o que fizemos outras passarem, revoluciona a maneira de como governamos a nossa vida e de como as igrejas e instituições deveriam exercer sua governança. É alento e balsamo que resultam em aumento de nossa resiliência, fortaleza e longevidade, em unidade e excentricidade pública, que incomoda e desafia grupos e ideo-teologias totalizadoras e homogêneas.

Mas voltando ao exercício terapêutico de lidar com o pecado e com o poder de ligar ou desligar. Todo o capitulo é um grito para as lideranças da comunidade (ou para a comunidade como um todo) de dedicar-se umas as outras. E de dedicar-se especialmente aquelas pessoas que estão fora da norma e da forma (crianças, ovelha desgarrada, pecadores, pessoas difíceis). Reconhecer o pecado e publica-lo é uma experiência sanadora, quando bem acompanhada e dentro de um quadro maior de “ligação” e acolhimento, de libertação e de transformação de todas as pessoas envolvidas. É um testemunho de que todo mundo precisa de mudanças e só podemos fazer isso quando publicamente nos reconhecemos pecadoras e pessoas em necessidade.

5. Marcas no caminho – memórias para seguir e permanecer

Quem sabe podemos retirar algumas marcas que o texto propõe para o caminho da reconciliação, resiliência e para o esforço enorme que é permanecer juntas em comunidade, de concordar em discordar e continuar de mãos dadas compartilhando, orando e testemunhando publicamente a revolução que era viver daquele jeito e de que não nos conformamos com os esquemas de morte, violência e exclusão desse mundo (cf Rm 12:2). Imagino que poderia ser:

  • O primeiro grupo que precisa de conversão, são as chamadas lideranças, que detém o poder da governança, da autoridade sobre e do formato ideo-teológico do comportamento (moral) do grupo – metanoia (mudar de olhar/perspectiva/teoria e de atitude)
  • O que está a margem precisa da nossa atenção – ser como criança
  • Reconhecer que a comunidade é uma “escola” (como disse São Bento em sua regra), um lugar para aprender, desaprender e transformar-se – todas as pessoas, bem como sistemas de governança e conduta – “eu vim para os pecadores”…
  • Não escandalizar ninguém, não agir como o “diabo” (aquele ou aquilo que provoca divisões)
  • Ter sublinhado na mente, na perspectiva (no olhar) e no comportamento que desprezar (em sentido amplo da palavra) alguém, especialmente as pessoas mais pequeninas (as que estão em maior situação de vulnerabilidade) não é um comportamento que se espera na comunidade. Precisamos ter APREÇO pelas pessoas, pela vida e por TODAS as pessoas e suas vidas
  • A capacidade de SAIR (ser excêntrica) é indicadora de pertença a comunidade do Reino, sublinhando a necessidade de uma igreja que quer ser ESPAÇO SEGURO e VIVER NO CAMINHO – ir atrás de quem se “desgarra”, investir tempo, recursos para isso, mudar nossa perspectiva sobre “as que dão problema e não se enquadram” – para não deixar ninguém pra trás
  • Dialogar sempre, procurar a relação, insistir na mesma, demonstrar que há amorosa disponibilidade para isso, e quando não for mais possível oferecer espaço para que ambos os lados possam repensar o que passou
  • A liderança da comunidade deve novamente reconhecer que a revelação de Deus continua também ali na discordância e no dissidente e continuar “indo atrás, com respeito pelo espaço da outra pessoa, com mais amor e afinco”, deixar as 99 já convencidas para ir atrás da que se desgarrou porque a igreja tem o PODER de ligar também
  • Orar sempre, sem cessar. A oração é encontro consigo mesma, portanto com Deus que habita em nós e revela-se, através de nós, a outras pessoas. A oração é o lugar amoroso da contemplação que muda e transforma se deixarmos, e não é necessário mais que duas pessoas (para o mundo judaico precisava de 10 homens) para que isso aconteça
  • E continuar insistindo na capacidade de perdoar. O perdão é primeiramente relacionado a você/eu que se sentiu ofendido. É um caminho de unificação interior que se estende e se estenderá a outras pessoas no devido tempo. Quem pecou ou pecou contra eu/você não precisa saber que a perdoamos. Mas nós precisamos desenvolver essa capacidade constante de rever o que acontecer e perdoar (não esquecer obviamente).

Na espiritualidade e tradição cristã temos rituais (que educam e formam) para lidar com o erro (pecado) e o objetivo desses é insistir que a pessoa pertence ao grupo e deve ser de alguma forma reconectado a este. É  na relação da comunidade que podemos sustentar nosso projeto contra os esquemas desse mundo. Quem sabe termino ilustrando essa conversa com um post que vem circulando há muito tempo pela internet sobre uma tribo (não consegui descobrir qual ainda) na África do Sul que tem um costume alinhado com a proposta de Jesus.

Há uma “tribo” africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros.
A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.
Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: “Eu sou bom”.
Sawabona Shikoba!
SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
“Eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante pra mim”
Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA,que é:
“Então, eu existo pra você”

Que Deus nos abençoe e continue insistindo no caminho conosco. Não porque merecemos, mas porque somos dignos do amor e de amar.

“Que belos e infinitos são Teus nomes, ó Senhor Deus.

Tu és chamado pelo nome

de nossos desejos mais profundos.

As plantas, se pudessem orar,

invocariam nas imagens das suas flores mais belas

e diriam que tens o mais suave perfume.

Para as borboletas Tu serias uma borboleta,

a mais bela de todas, as cores mais brilhantes,

e o teu universo seria um jardim…

Os que estão com frio Te chamam Sol…

Aqueles que moram em desertos

dizem que Teu nome é Fonte das Águas.

Os ófãos dizem que Tens o rosto de Mãe…

Os pobres Te invocam como Pão e Esperança.

Deus, nome de nossos desejos…

Tantos nomes quantas são nossas esperanças e desejos…

Poema. Sonho. Mistério” (RUBEM, Alves (org.). CultoArte: celebrando a vida – advento/natal/epifania. Petrópolis: Vozes, 1999)

Discipulado Intencional: Uma proposta de Renovação da Comunhão Anglicana

IEAB Últimas Notícias - qua, 2017-09-20 18:15
A Comunhão Anglicana tem dedicado uma promissora energia para aperfeiçoar a maneira como nosso povo pode comunicar o Evangelho neste contexto de pós modernidade. Num mundo de rápidas mudanças culturais e tecnológicas, re-significar o conceito de discipulado é uma exigência que a Igreja precisa levar a sério. Esta é a preocupação que o Conselho Consultivo Anglicano captou e resolveu assumir como uma tarefa urgente a ser assumida por toda a Comunhão aprofundar a consciência de um seguimento radical de Jesus através de uma espiritualidade ativa e efetiva tanto para dentro da Igreja quanto para a vida em sociedade. A IEAB é chamada a assumir o compromisso de desenvolver uma estratégia que venha dinamizar a compreensão, o aprofundamento e a prática de um discipulado que transforme vidas e igualmente a sociedade em que estamos inseridos, com tantos desafios que temos enfrentado.
++ Francisco de Assis da Silva Bispo Primaz do Brasil



A IEAB distribui nesse mês de setembro o material sobre O Discipulado Intencional e a Formação de Discípulos produzido pelo Departamento de Missão da Comunhão Anglicana. Esse material deverá, se possível, ser partilhado por todas as instâncias diocesanas e provinciais para que possam usufruir de sua proposta de evangelização.

Reverendo Arthur Cavalcante+ Secretário Geral da IEAB


Sugiro que a Igreja Brasileira faça uma nota para o site compartilhando o documento, informando a todas as pessoas do esforço fenomenal da IEAB para que ele saísse em nossa língua materna[...]  dar uma palavra de incentivo para a leitura, estudo e produção de grupos de formação, bem como a JUNET e o CEA.

Paulo Ueti

Teolólogo y Facilitador Regional para América Latina, Alianza Anglicana


Sugiro que possamos pensar a possibilidade de criar um GT provincial para trabalhar o “discipulado intencional” cada Diocese e Distrito tenha um GT local para o tema, e assim teríamos a “Temporada do Discipulado”, onde a partir de um material único, o tema será trabalhado na realidade local em cada comunidade. Sendo um tempo de crescimento, fortalecimento do sentimento de pertença a uma Igreja Diocesana, Provincial e Mundial. Outro desafio é focar na catequese de crianças, jovens e adultos, pois este é um desafio desta temporada, e continuar tendo a juventude como uma prioridade na vida da Igreja.

Reverenda Tatiana Ribeiro

Grupo Coordenador do Discipulado Intencional da Comunhão Anglicana.


MATÉRIA DO ANGLICAN NEWS SERVICE SOBRE DISCIPULADO INTENCIONAL

Vivendo e compartilhando uma vida moldada por Jesus: planos de discipulado emergem

Os participantes na primeira reunião do grupo de coordenação para a “Temporada de Discipulado Intencional e fazendo Discipulos” expressaram entusiasmo e otimismo sobre as idéias que estão começando a tomar forma.

O grupo se reuniu nos dias 23 a 26 de abril, em um centro de retiro na Inglaterra. Os países representados incluíam o Brasil, República Democrática do Congo, Malásia, África do Sul, Canadá e Argentina. O grupo foi organizado pelo Secretário-Geral em resposta a uma resolução do ACC16 para realizar uma “Temporada de Discipulado Intencional” eo apelo para que “cada província, diocese e paróquia da Comunhão Anglicana adotem um foco claro no discipulado intencional e para produzir recursos para equipar e capacitar toda a igreja para ser eficaz na criação de novos discípulos de Jesus Cristo “.

O retiro envolveu uma “tempestade de ideias”, compartilhando ideias, oração, discussão e trabalho continuará agora separadamente até que o grupo reúne novamente no próximo ano. O arcebispo NgMoon Hing, presidente do grupo, explicou como o pensamento se desenvolveu: “Estávamos deliberando para o primeiro dia sobre a idéia de viver e compartilhar uma vida moldada por Jesus. Este tornou-se nosso tema – o que parece ser viver e compartilhar uma vida moldada por Jesus? Ela precisa envolver as Cinco Marcas da Missão: cuidar da criação, cuidar da justiça e das necessidades sociais, bem como ler a Bíblia e orar. …… discipulado pode significar coisas diferentes em diferentes partes da Comunhão. ”

O Arcebispo reconheceu que já havia um bom trabalho em torno da Comunhão: “Há muitas iniciativas interessantes no discipulado. Nosso objetivo não é reinventar a roda. Queremos incentivar as pessoas e os grupos a compartilhar essas iniciativas com outras províncias “, disse ele.

O Diretor de Missão na Comunhão Anglicana, o Rev. Cânon John Kafwanka, explicou ainda o que o conceito significa:

“O tema geral é um desejo que chegamos ao ponto como uma comunhão onde a cultura e a linguagem do discipulado se incorpore na cultura e na vida da igreja – e como essa fé em Jesus tem um impacto transformador em nossos locais de trabalho, Profissional e familiar. Também que nossa fé torna-se central para quem somos – não algo que pegamos como e quando é conveniente. ”

O Rt Revd Nick Drayson, bispo do norte da Argentina, saudou o trabalho do grupo como um passo na formação do envolvimento das pessoas e do papel na igreja.

“Para o futuro, espero que a Temporada de Discipulado Intencional mude a cultura da Igreja Anglicana na minha província e nas nossas dioceses. Por muito tempo na região onde vivo a igreja não criou discípulos. As pessoas não juntam as peças. Uma vida moldada por Jesus significa que as pessoas esperam que ir à igreja realmente muda suas vidas. ”

A Revd. Tatiana Ribeiro, Coordenadora Nacional da Juventude no Brasil (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil) ficou igualmente entusiasmada: “Isso é tão importante para a Igreja no Brasil. Pois nos reconhecemos como parte da Comunhão Anglicana. Estar aqui é como Pentecostes – ouvir todas essas diferentes línguas! Mas a mesma fé, a mesma esperança – e os mesmos desafios. “Minha esperança é que através da Temporada de Discipulado Intencional os membros leigos da igreja estarão mais envolvidos na vida da igreja. Discipulado é para todas as pessoas – e todas as pessoas são discípulos. ”

- Download do Material: O Discipulado Intencional e a Formação de Discípulos

- Download do Relatório: Participação reunião do Grupo Coordenador do Discipulado Intencional

Diocese da Amazônia Acolhe Duas Candidaturas ao Episcopado

IEAB Últimas Notícias - qui, 2017-08-03 17:27

COMUNICADO DO GT DE ELEIÇÃO*

Grupo de Trabalho para Eleição Episcopal da Diocese Anglicana da Amazônia

Belém – PA, 01 de agosto de 2017

O Grupo de Trabalho – GT, responsável pela condução do processo de Eleição Episcopal na Diocese Anglicana da Amazônia comunica que a Reverenda Cônega Marinez Bassotto e o Reverendíssimo Deão Silvio de Freitas são as pessoas candidatas ao Episcopado de nossa Diocese e que a eleição ocorrerá no dia 21 de outubro de 2017 no Concílio Extraordinário na Catedral de Santa Maria – Av. Serzedelo Corrêa, 514, Batista Campos – Belém – PA.

Antes disso, pretende-se reunir as pessoas delegadas do Concílio em dia estabelecido com a candidata e o candidato para uma teleconferência com intuito de maior proximidade e conhecimento de ambos.

Pedimos que continuemos em oração a fim de que a Eleição Episcopal da DAA seja serena e impulsionada pela vontade de Deus.

Deão Silvio de Freitas

Cônega Marinez Bassotto

*Adaptação do comunicado da DAA

Comissão das Nações Unidas sobre o Status da Mulher – UNCSW

IEAB Últimas Notícias - ter, 2017-07-18 15:39

Leia o relato de Odete Liber, Assessora de Projetos do SADD que representou a IEAB no UNCSW – Comissão das Nações Unidas sobre o Status da Mulher, neste ano em Nova York:

Tive a honra de representar a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil na Comissão das Nações Unidas sobre o Status da Mulher (UNCSW – ww.uncsw.org), nos dias 09 a 24 de março, na cidade de Nova York. Nesse evento, foram ao todo 20 mulheres anglicanas de vários paises que se somaram a milhares de outras mulheres que lá estavam na UNCSW.  Nós, irmãs anglicanas, nos reunimos para compartilhamos experiências do que acontece com as mulheres em seus respectivos países. No evento havia muitas outras mulheres com quais, em alguns momentos, nos somamos (eventos paralelos) para sermos impactadas pelos testemunhos e relatos de experiências e fé de muitas mulheres. O evento principal da CSW foi sobre o “empoderamento econômico das mulheres no mundo do trabalho em mudança”, além dos eventos paralelos que abordaram temas como a justiça de gênero, através de vários olhares, focos: tráfico humano, direitos indígenas, violência baseada no gênero, crises humanitárias, iniciativas locais, imigração e impacto ambiental, etc.

Os dias foram permeados por reuniões, palestras, painéis, grupos para discussão e feedback, celebração/culto, e outras atividades, além de alguns momentos de lazer e cultura. Fomos chamad@s a deliciar-nos na continuação desse trabalho e missão e convida@s a refletir:  1- O que a capacitação econômica e o empoderamento econômico das mulheres parece comigo, com a igreja da qual venho?  2- O que o empoderamento econômico das mulheres tem a ver com a igreja hoje? Isso é importante? Como a igreja vê o empoderamento da mulher? 3- Como igreja, podemos re-imaginar o modelo de empoderamento econômico de uma forma que dest aque direitos e igualdade para todo o povo de Deus? 4- Como partilharmos e abraçarmos a voz profética, um modelo em que possamos viver nossos votos batismais?  5- Se levarmos seriamente a nossa aliança de respeitar a dignidade de cada ser humano, como colocaremos em prática os direitos de nossas irmãs e irmãos em toda parte? 6- Como nos afastamos do ‘status quo’ contemporâneo para uma economia baseada nos direitos e na dignidade?  Tais perguntas tentei responder e também as trago para a IEAB.  Eis o desafio: o que iremos fazer? Com certeza como igreja teremos muito a fazer aqui no Brasil. E que no próximo ano, nossa IEAB, nesse mesmo evento, possa relatar muitas vitórias, apesar dos inóspitos caminhos que ainda devemos trilhar.

Side by Side: Lado a Lado

No dia 17 de março aconteceu a atividade de lançamento formal do Side By Side durante a reunião do UNCSW. Vale citar que o movimento global que já tem dois anos de existência, formado por  pessoas de fé que desejam ver a justiça de gênero se tornar uma realidade em todo o mundo.

A Revda. Terrie Robinson apresentou o movimento, citou que este está presente no Brasil, Zimbábue, Colômbia, Ruanda, Burundi, Escócia, Quênia e Etiópia. Em seguida, falaram os quatro painelistas: Javier M. Acostas (Father and Director of the Social Pastoral Secretariat of the Colombiam Bishops Conference –SEPAS- in the Diocese  of Montelibano, Córdoba);  Maggie Sandilands (Tearfund); Walter Vengesai (Acting Director od Padare; a men’s gender forum based  in Zimbabwe) e Kikala Isobel Thomas (Mother’s Union Community Development Coordinator an Savings whit Education Program Coordinator for the Anglican Diocese of Angola). Kikala disse que é uma sobrevivente e agora luta por outras pessoas. Walter Vengesai  enfatizou a importância de trabalhar com homens e meninos, pois em seu país cresce o índice de casamentos de homens com meninas, e é preciso parar com isto. Sarah Roure (Brasil), Charles Opoyo (Quênia) e Fiona Buchanan (Escócia) relataram como, em seus respectivos países, líderes religiosos e organizações religiosas estavam trabalhando-  em conjunto para aumentar a capacidade e melhorar a defesa da justiça de gênero. Karri Whipple (Associação Mundial para a Comunicação Cristã – WACC), falou sobre o pedido de ação da organização para acabar com o sexismo dos meios de comunicação até 2020, bem como o WACC pode interagir com o movimento Side by Side.

Tod@s @s participantes foram convidados a refletir sobre o que precisa acontecer em cada contexto em particular para mais líderes religiosos se tornem defensores da justiça de gênero. Com todas as falas, pode-se dizer que é preciso empoderar a mulher, lutar para que existam espaços de igualdade de fato. A mulher precisa estudar, o homem precisa participar de momentos de fala sobre gênero, justiça e equidade, fazer estudos bíblicos voltados para a valorização da mulher, com uma hermenêutica ‘da’ e ‘para’ a mulher. Mais uma vez, nós como igreja IEAB e SADD participando ativamente e vislumbrando um mundo onde todos: mulheres e homens, meninos e meninas são valorizados igualmente.


Registro da Assembleia Anual da CESE 2017

IEAB Últimas Notícias - ter, 2017-07-18 15:24

Em Junho deste ano foi realizada a Assembleia Anual da CESE 2017 em Salvador/BA, um dos momentos desse encontro que reuniu representações de várias Igrejas, foi o ato ecumênico realizado na  Ilha de Maré, também na Bahia. A IEAB contou com a representação do Secretário Geral, Revdo. Arthur Cavalcante e com uma delegação formada por Dom João Peixoto, bispo diocesano da Diocese Anglicana do Recife,  Revda. Elineide Ferreira, clériga do Distrito Missionário Anglicano e Sra. Carmen Diaz, membro da Diocese Anglicana de Pelotas, lá manifestaram o apoio da IEAB e assinaram o Abaixo-assinado do projeto de lei de iniciativa popular para o reconhecimento, proteção e garantia do direito ao Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras. (clique para saber mais sobre esse compromisso, divulgar e também coletar assinaturas).

Fonte: CESE

O vídeo do registro desse acontecimento está disponível no canal do YouTube da CESE, confira em https://www.youtube.com/watch?v=5oU9ETpGvTQ  e também na página inicial de seu site oficial:  http://www.cese.org.br

Encontram-se a Graça e a Verdade; a Justiça e a Paz se Abraçam. (Sl 85:10)

IEAB Últimas Notícias - qui, 2017-07-13 14:02

CARTA CONVITE COMISSÃO DE RECONCILIAÇÃO

Queridas irmãs e queridos irmãos da Diocese Anglicana de São Paulo,

Com alegria, comunicamos que a Comissão Especial de Reconciliação, criada por decisão da Câmara Episcopal face aos conflitos que estão ocorrendo nessa parte da IEAB, envolvendo o bispo diocesano, e lideranças clericais e leigas, se reunirá na cidade de São Paulo nos dias 11, 12 e 13 de agosto de 2017, com o objetivo de ouvir todas as pessoas que desejarem falar sobre os fatos.

Será um espaço de acolhimento onde todas as pessoas poderão manifestar livremente suas opiniões, percepções e sentimentos, com a confiança de que será um ambiente seguro e livre de interferências e pressões externas. Portanto, sintam-se convidadas e convidados a participar deste momento de escuta, na busca da verdade, da justiça e de caminhos para a reconciliação a partir das dimensões propostas pelo Teólogo Robert Schreiter:

a)     Curar as pessoas, criando condições para que elas elaborem sua dor;

b)     Contar a verdade, buscando estabelecer uma narrativa clara sobre tudo o que aconteceu;

c)      Buscar a justiça, buscando que seja reestabelecida uma relação justa entre todas as pessoas envolvidas;

d)     Buscar o perdão, para que as mágoas possam ser superadas e as relações restauradas.

Em data oportuna a Comissão divulgará o local da reunião.

Em Cristo,

Dom Francisco de Assis da Silva DSO (Primaz)  xicoasilva@gmail.com

Dom Naudal Gomes -DAC  ngomes@ieab.org.br

Dom João Câncio Peixoto – DAR  joao.peixoto01@uol.com.br

Revda. Lúcia Dal Pont Sírtoli – DAC  lunagi21@yahoo.com.br

Revdo. Rodrigo Espiúca dos Anjos Siqueira – DSO  espiuca@yahoo.com

Carlos José Machado – DARJ  carlosjose@asario.com.br

Mary Joyce White Rocha – DAA  mjwrocha@yahoo.com.br

PS.:

1) As pessoas interessadas em se inscrever para a escuta deverão encaminhar e-mail para os membros da Comissão, c/c para sec.tesouraria@ieab.org.br

2) Se as pessoas desejarem ser ouvidas em grupo, deverão informar essa condição, discriminando os componentes.

Necrológio do Revdo Oswaldo Kickhofel

IEAB Últimas Notícias - qui, 2017-07-06 10:12

Necrológio do Revdo. Oswaldo Kickhofel: Discrição, Concentração, Organização

A IEAB está profundamente e respeitosamente silenciosa diante da noticia da Páscoa de nosso irmão Reverendo Oswaldo Kickhofel.

Sua grande vocação foi dedicar-se a duas áreas essenciais da vida da Igreja: comunicação e memória. Foi um grande servidor a Igreja Provincial, por 19 anos foi editor do Estandarte Cristão, e de 1990 a 2003 serviu e desenvolveu o Projeto Memória, recuperando o Arquivo Nacional e produzindo vários livros, tendo sido a sua principal obra ” Notas da História da IEAB, publicada em 1996.  De uma capacidade meticulosa de buscar dados, relatos e documentos, o Reverendo contribuiu e muito para manter vivo e preservado o acervo histórico da IEAB.Reverendo Oswaldo Kickchofel, nascido em 7 de julho de 1934 no interior do município de Pelotas/RS, frequentou a escola primária e a escola dominical da Paróquia do Amor Divino. Em 1954 começou a trabalhar na igreja como leitor leigo e professor rural na Capela da Páscoa, também interior de Pelotas. Após concluir o ensino ginasial, em 1961, ingressou no Seminário Teológico, em 1964 foi ordenado Diácono e ordenado Presbítero em 1965. Foi pároco de diversas comunidades, além de ocupar diversas funções dentro da Diocese Meridional.

Também foi Diretor do Departamento de Comunicação da Província, Presidente do Conselho Diretor do FAPIEB, Estatístico e Arquivista provincial e Diretor do Estandarte Cristão por 18 anos, além de autor de diversos livros que contam a história da IEAB, inclusive de algumas Paróquias centenárias. Uma de suas últimas obras foi escrever a história da Paróquia da Ascensão. Sua última contribuição à Província, já como aposentado, foi ajudar o Projeto de memória Digital do Estandarte Cristão, levado a efeito em 2008-2009 e que produziu os arquivos digitais dos primeiros vinte anos do centenário Jornal da IEAB.

Uma de suas características mais marcantes era  senso de organização. O Arquivo Nacional, que ele organizou com tanto esmero foi uma demonstração desse traço de seu caráter. Era uma pessoa bem reservada, contida, mas quando o assunto era memórias e histórias, soltava o verbo e os olhos brilhavam. Ele faz parte de um grupo de pessoas que apesar de não ser numeroso, nos ajudam a conservar a riqueza da tradição oral e documental de nossa história.

De seu casamento com Elizabeth, sua primeira companheira, ficam três filhos: Gustavo, Alexandre e Eduardo. Deixa também uma neta, Betina.

Em nome de nossa Província e de tantas pessoas que o admiravam estendo à familia e aos amigos nossos mais sinceros sentimentos e oro para que ele esteja comungando da presença de Deus e de tantos santos e santas da Igreja triunfante.

Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocesano em Santa Maria

Comissão de Reconciliação Define Metodologia

IEAB Últimas Notícias - ter, 2017-07-04 19:33

Reuniu-se virtualmente no último dia 28 de junho, a Comissão formada para trabalhar na reconciliação no âmbito da Diocese Anglicana de São Paulo entre o Bispo Diocesano e o Secretário Geral da Igreja. A Comissão, criada na última reunião presencial da Câmara dos Bispos, e formada pelos Bispos Dom Francisco de Assis da Silva, Primaz e presidente ex officio da comissão, Dom Naudal Alves Gomes (DAC) e Dom João Câncio Peixoto (DAR), pelos Reverendos Lúcia Dal Pont Sírtoli (DAC) e Rodrigo Espiúca dos Anjos Siqueira, e pelos leigos Mary Joyce White Rocha (DAA) e Carlos José Machado (DARJ).

A Comissão tem prazo de 90 dias, prorrogareis por mais 30 dias para concluir o seu trabalho de promover a escuta das partes e oferecer encaminhamento que leve à reconciliação entre as partes.

Para que todos os membros da comissão tenham ciência dos fatos acontecidos, será solicitado ao Presidente da Câmara de Clérigos e Leigos (CCL) envie aos membros os documentos, cartas e declarações que foram coletados até o momento, bem como será solicitado ao Bispo Dom Flávio Irala que partilhe a sua análise do parecer emitido pela Comissão Provincial de Constituição e Cânones (CCC).

Sobre a metodologia a ser utilizada, ficou decido que haverá uma reunião presencial em São Paulo, dias 11, 12 e 13 de agosto, em local a ser definido, para que a comissão possa ouvir todas as pessoas que tenham interesse em dar seu testemunho sobre os acontecimentos. Não será feita nenhuma convocação por parte da comissão, no entanto o processo de escuta será amplamente divulgado por meio de comunicado (carta convite) dirigida ao povo da DASP: clero, lideranças, juntas paroquiais etc. O Bispo Primaz ainda irá convidar alguém para ser um(a) assessor(a) espiritual para ajudar a comissão nos dias em quem ira se reunir presencialmente.

A Comissão já tem nova data para se reunir virtualmente, será na próxima quinta-feira, dia 12 de julho.

Solicita-se que toda a Igreja esteja em oração por este processo que busca restabelecer a unidade, o respeito e a comunhão no âmbito de nossa querida Diocese Anglicana de São Paulo.

Saiba mas sobre o Tema da Reconciliação: Mensagem da Câmara dos Bispos e Mensagem da Câmara Clerical e do Laicato

PROVÍNCIA CRIA GRUPO EXECUTIVO PARA LIDERAR A CONFELÍDER 2018

IEAB Últimas Notícias - qui, 2017-06-29 17:45

No dia 27 de junho, através de um vídeo conferência, estiveram reunidas com o Bispo Primaz Dom Francisco Silva e com o Secretário Geral Reverendo Arthur Cavalcante, a Comissão Nacional de Diaconia (CND), Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD), Centro de Estudos Anglicanos (CEA) e o Grupo de Apoio ao Primaz (GAP). O motivo de encontro foi cumprir um mandato oriundo da reunião presencial do Conselho Executivo do Sínodo (abril de 2017) para que a Província construísse um Grupo Executivo Nacional para preparar e liderar a CONFELÍDER 2018.

O principal encontro da Igreja Anglicana ocorrerá entre os dias 30 de maio à 03 de junho de 2018, em Brasília/DF. É  prevista a presença de 114 pessoas (Bispos, Clérigos e Leigos). Também de pessoas convidadas de outras províncias anglicanas, parceiras de organizações internacionais de diaconia/serviço e ecumênicas.

O Sínodo de 2013 (Rio de Janeiro) apontou a Diocese Anglicana de Brasília (DAB) para sediar esse que é o grande evento da Igreja do Brasil. Será a primeira vez que um Sínodo Geral ocorrerá na chamada Área 3 da Igreja Episcopal que contempla uma grande região geográfica e também missionária: Diocese Anglicana do Recife, Diocese Anglicana de Brasília, Diocese Anglicana da Amazônia, além do Distrito Missionário Anglicano.

O Bispo Primaz destacou que a CONFELÍDER tradicionalmente tem uma dinâmica própria, necessitando assim de um grupo coordenado com seguintes requisitos, a saber: conhecimento sobre a Igreja e das tensões teológicas, a confiança da Igreja, com um perfil agregador e pedagógico, e uma liderança em sintonia com a Primazia e com a Secretaria Geral.

Após uma avaliação dos grupos representados ali sobre as dinâmicas das últimas CONFELÍDERES e igualmente da atualização dos trabalhos da Igreja sobre Sexualidades e Famílias, chegou-se a um consenso que o Grupo Executivo será formado por três membros das áreas provinciais: Reverendo Pedro Triana (CEA/Área 2), Reverenda Marinez Bassotto (CND/Área 1) e Dra. Bianca Daebs (GAP/Área 3).

A Reunião apontou os seguintes passos a serem dados:

  • Retomar com GAP/CND/CEA a ideia de realização do vídeo de sensibilização;
  • Informar aos senhores bispos diocesanos que além deles, o público alvo das CONFELÍDERES diocesanas é a Delegação Diocesana ao Sínodo, Contato diocesano do SADD, Representante do CET diocesano, representantes da UMEAB, juventude, todo o clero diocesano, comissões de incidência pública (diaconia/ação social).
  • Fazer uma previsão das assessorias para as CONFELÍDERES diocesanas (lembrando que essas assessorias estarão a cargo da equipe organizadora – CND, GAP e CEA). Para cada CONFELÍDER no mínimo 2 assessores(as).
  • Para ajudar a direcionar os trabalhos das CONFELÍDERES DIOCESANAS será emitido pelo GAP e Grupo Executivo o Documento Referência que trará subsídios para as discursões e dinâmicas.

A Secretária Geral solicita que as Dioceses enviem as datas de suas CONFEDERES 2017 para que o Grupo Executivo agende as assessorias de trabalhos e inicie os contatos com os bispos.   As seguintes dioceses já marcaram as suas datas: Diocese Sul Ocidental para os dias 18-19 de agosto e Diocese Meridional para o dia 04 de novembro.

Pronunciamento da Câmara Clerical e do Laicato IEAB

IEAB Últimas Notícias - qui, 2017-06-22 12:32

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13. 4-7).

Irmãos e Irmãs

Saudações em Cristo!

A Câmara Clerical e do Laicato acompanhou de perto os diversos eventos ocorridos na Diocese Anglicana de São Paulo e, como parte de nossa eclesiologia anglicana, uma igreja sinodal e bicameral, tem se feito representar e ouvir em todas instâncias sobre essas questões.

A Câmara Episcopal encaminhou a criação de uma comissão de reconciliação para tentar solucionar os problemas que tem afetado toda a igreja. Iremos acompanhar os trabalhos desta comissão, rogando a Deus que os guie e os abençoe nesse processo. De nossa parte já indicamos para compor a comissão o Revdo. Rodrigo Espiúca da Diocese Sul Ocidental e a Sra. Mary Joyce da Diocese Anglicana da Amazônia. Ainda não sabemos como a Comissão conduzirá os trabalhos.

Informamos que tão logo seja instalada, a CCL solicitará essa informação para o acompanhamento desta câmara. Como pessoas cristãs não podemos nos negar a reconciliação, pois, segundo o Apóstolo Paulo, esse ministério Cristo nos deu (2 Co. 5. 19), no entanto, entendemos que esse é um processo que envolve reciprocidade, escuta atenta, humildade, mudança de atitudes, reparação e perdão das pessoas envolvidas.

Pedimos aos irmãos e irmãs, desde já, que apoiem e coloquem essa comissão em suas orações para que a paz, a justiça e a confiança sejam restabelecidas na DASP e em nossa IEAB.

Santa Maria, 22 de junho de 2017

SR. Fernando H. Luiz

Presidente da Câmara Clerical e do Laicato (CCL) da IEAB

Mensagem Pastoral da Câmara Episcopal da IEAB ao seu Povo e ao seu Clero

IEAB Últimas Notícias - qua, 2017-06-21 10:36

“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor. Toda a lei se resume num só mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. Gálatas 5:13,14

Às amadas irmãs e aos amados irmãos em Jesus Cristo, nosso Senhor: Paz!
A Câmara Episcopal da IEAB esteve reunida no dia19 de junho para avaliar a situação gerada pela disponibilidade canônica do Revdo Arthur Pereira Cavalcante.
Ouvimos a palavra do presidente da Câmara Clerical e do Laicato que nos trouxe uma carta a essa Câmara, expondo a situação e o contexto pastoral que envolve neste momento toda a Igreja Provincial

Imbuídos do desejo de contribuir para uma solução pastoral e que fortaleça nosso senso de pertença e comunhão, tanto em nível diocesano como provincial, construímos uma possibilidade de busca de um processo pastoral de reconciliação, apoiado pelo bispo diocesano da DASP e em acordo com a Câmara.

Propomos, então, a constituição de uma Comissão Provincial de Reconciliação composta por dois bispos, sendo um da Área II, e duas pessoas do clero e duas do laicato, indicadas pela Câmara Clerical e do Laicato, e as outras duas da Área Provincial II, indicadas pelos bispos.

A Comissão terá um prazo de 90 dias, podendo ser prorrogado por mais 30 dias, para concluir seus trabalhos.

Neste sentido será fundamental a anuência do Revdo. Arthur Cavalcante que será contatado pelo Bispo Primaz.

Enquanto isso, exortamos a Igreja ao exercício da longanimidade e da misericórdia. Que nunca nos falte a consciência do perdão que Deus tornou eficaz em nossas vidas.

E nos despedimos com a exortação do apóstolo Paulo, em Romanos 13:8 : “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a lei”

Porto Alegre, 19 de Junho de 2017

Dom Francisco de Assis da Silva – Diocese Sul Ocidental – Primaz da IEAB

Dom Naudal Alves Gomes – Diocese Anglicana de Curitiba

Dom Filadelfo Oliveira Neto – Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

Dom Maurício Andrade – Diocese Anglicana de Brasília

Dom Renato Raatz – Diocese Anglicana de Pelotas

Dom Humberto Maiztegui – Diocese Meridional

Dom Flávio Irala – Diocese Anglicana de São Paulo

Dom João Câncio Peixoto – Diocese Anglicana do Recife

Dom Eduardo Coelho Grillo – Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

Dom Clovis Erly Rodrigues – Emérito

Dom Orlando Santos de Oliveira – Emérito

Mensagem do Primaz para o Dia de Pentecostes

IEAB Últimas Notícias - sab, 2017-06-03 17:24

Em Deus faremos proezas Sl 60,12

Esta expressão claramente assumida no Salmo 60, traduz para nós a confiança que precisamos ter em Deus para superarmos os tempos difíceis que enfrentamos como Igreja no Brasil.

Estamos cercados por uma gama de desafios que às vezes enfraquece a nossa confiança. Nosso povo tem sido confrontado com uma realidade que parece ter retornado das sombras para nos ameaçar de novo. O país vive dias desconfortáveis onde a confiança nas instituições está sendo corroída e a cada dia um novo escândalo toma conta do noticiário, expondo a vergonha e os crimes cometidos contra a dignidade de nosso povo.

No cenário internacional, não muito diferente do que ocorre aqui, líderes se dão o direito de desconhecer compromissos muito sérios com o cuidado do meio ambiente e com os direitos humanos, em nome de um pretenso progresso que só empurra a humanidade para o seu próprio fim e que se contenta apenas em expandir egoísmo e lucro.

Voltando ao nosso país e no interior de nossa Igreja temos vivenciado experiências dolorosas de dissensos em torno de questões de poder e de eclesiologia as quais nos subtraem tempo e recursos que deveriam estar sendo usados na missão de Deus e no serviço ao povo.

Nos sentimos como se estivéssemos naquela sala superior (conforme relato de Atos dos Apóstolos), reunidos, confusos, inseguros, paralisados. Trancados entre quatro paredes enquanto o mundo lá fora pulsa com suas necessidades. Mas Deus não nos quer paralisados! Ele nos quer sacudir e acordar para fazer de nós seus autênticos instrumentos de transformação.

O vento impetuoso que sacode a sala inteira é a força que nos pode impelir para abandonar nosso medo, nossa preocupação excessiva com nosso bem estar, com o poder, com as estruturas e fazer como Pedro fez: por-se de pé e falar!

Oro a Deus para que tenhamos essa coragem. Oro a Deus para que nos embriaguemos do Espírito e anunciemos, sem medo, as proezas que Deus realizou, realiza e realizará em nossa Igreja, em nosso país e no mundo inteiro. Para tanto, é essencial sentirmo-nos completamente livres.

Vem Espírito Santo e renova a Criação, a Igreja e cada um de nós. Afasta de nós o medo e dá-nos a coragem necessária para anunciar as proezas de Deus para toda a humanidade.

++Francisco, Santa Maria

Primaz do Brasil